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Nascido em Belém (PA), no dia 1º de outubro de 1913, Hélio deixou a mulher, Vera, e os filhos Rorion, Relson, Rickson, Rolker, Royler, Royce, Rherica, Robin e Ricci.
 


Na década de 20, Hélio Gracie era um menino franzino, com problemas de saúde. Por isso, Carlos recebera ordens do médico da família para que não ensinasse o jiu-jitsu ao irmão. Hélio, muito frágil, com vertigens e desmaios quase diários, estava impedido até mesmo de freqüentar escola e ficava o dia inteiro assistindo às aulas do irmão mais velho.

Até que um dia, como havia um aluno esperando e Carlos não chegava, Hélio (então 14 anos) propôs-se a passar instruções da aula. E fez de tal forma que, quando Carlos chegou, o aluno pediu que, desse dia em diante, as suas aulas fossem dadas por Hélio, que nunca tinha recebido uma aula sequer.
Com extraordinário talento e persistente, para compensar os seus franzinos 60 quilos, Hélio Gracie aperfeiçoou a técnica a ponto de torná-la praticamente imbatível, dando origem no que hoje é mundialmente conhecida com jiu-jitsu brasileiro.
 helio gracie e carlos gracie
Aos 16 anos, na sua primeira luta em público, venceu em 30 segundos o então campeão brasileiro de boxe, Antônio Portugal.

Com 18 anos, derrotou o vice-campeão mundial de vale-tudo, Fred Ebert. Venceu em quatro minutos, o campeão de capoeira Caribé, que desafiara através da imprensa. Enfrentou e venceu, sem descanso entre as lutas, doze fulizeiros navais escolhidos entre os mais fortes de toda a corporação. O mais leve pesava 90 quilos. O japonês Massagoishi, campeão de sumô, que tinha o dobro do tamanho de Hélio Gracie, foi por ele derrotado em menos de cinco minutos.

Os japoneses começaram a demonstrar preocupação com a invencibilidade de um brasileiro nessa antiga arte marcial do Japão, e passaram a mandar de lá seus melhores lutadores, para enfrentar Hélio Gracie, que enfrentou vários adversários japoneses e continuava invicto. Para derrubar definitivamente a invencibilidade do brasileiro, vieram do Japão os dois maiores lutadores o campeão mundial, Kimura, e o vice, Kato. Mesmo tendo duas costelas fraturadas em um treino, Hélio Gracie enfrentou Katô em um rinque no gramado do Maracanã e a luta terminou empatada. Na revanche em São Paulo, a vitória de Hélio, em seis minutos, deixou perplexa a colônia japonesa.
A luta contra o campeão mundial Kimura, 10 anos mais novo e 40 quilos mais pesado, foi um marco na vida de Hélio Gracie. Sobre o tablado no Maracanã, Hélio resistiu 18 minutos, arrancando elogios do adversário em plena luta, e só foi vencido quando seu irmão, Carlos, jogou a toalha, temendo fratura séria. No dia seguinte, Kimura foi a casa de Hélio Gracie e o convidou a ir ao Japão. O brasileiro preferiu continuar seu trabalho no Brasil.
A última luta de Hélio Gracie foi a mais longa da história do jiu-jitsu: depois de três horas e 45 minutos sem interrupção, sobressaiu a força física de seu corpulento ex-aluno Waldemar Santana, 20 anos a menos, que venceu o combate de forma dramática. A revanche foi assumida por Carlson Gracie, que venceu Santana de modo arrasador.

Durante uma viagem para Fortaleza, com seu irmão Carlos, no navio Itanajé, um homem desconhecido jogou-se no mar, em uma região infestada de tubarões, perto de Abrolhos, na costa baiana . Um pequeno escaler, com seis tripulantes, desceu para tentar salvar o suicida, mas tinha ordens de voltar caso não conseguissem. Enfrentando grandes ondas, puxavam o homem pelos cabelos sem conseguir trazê-lo para o barco. Então Hélio Gracie resolveu mergulhar. Nadou rápido quando o barquinho já retornava, sob os gritos dos marinheiros apavorados com a presença dos tubarões, colocou o homem a salvo empurrando-o para cima do barco, liderou os marujos que não coseguiam vencer as ondas com seus remos, e ao voltar recebeu medalha de ouro e diploma de Honra ao Mérito, na Rádio Nacional com patrocínio da Standard Oil.
A opinião pública o aclamava como um herói de carne e osso. Durante várias décadas, as vitórias de Hélio Gracie ocuparam as primeiras páginas dos maiores jornais do País.

A partir dos aos 50, a Academia Gracie na Av. Rio Branco passava a ser freqüentada por gente de todas as idades e classes sociais, inclusive por personagens influentes na vida nacional, como empresários, jornalistas, militares e ministros de Estado.


Princípios morais

Por influência de Carlos Gracie, Hélio adotou vida frugal. Sempre fez da técnica e da dignidade do esporte uma bandeira e hoje, na lucidez dos seus 95 anos de idade, antes de morrer, se entristecia ante o mau uso dessa técnica e a deturpação dos conhecimentos milenares que deram origem às artes marciais.


Protestando contra a imagem de violência de muitos inescrupulosos mercenários das diversas modalidades de luta marcial ele apelava para a responsabilidade das academias e das associações na formação moral dos jovens atletas e defende maior rigor para o funcionamento dessa entidades, em nome dos princípios éticos e das elevadas tradições filosóficas do jiu-jitsu.


Seus filhos, sobrinhos e discípulos transmitem as técnicas do jiu-jitsu brasileiro em todo o mundo e participam vitoriosamente das principais competições internacionais. Seu filho Rorion Gracie, vivendo hoje nos Estados Unidos, criou uma academia de jiu-jitsu e Royce Gracie consagrou-se como um dos maiores campeões do mundo nesta modalidade.

Contra a violência

As técnicas transmitidas há sete décadas pelos Gracies transcendem uma simples luta ou prática esportiva, principalmente entre os jovens, que encontram no verdadeiro jiu-jitsu uma atividade sadia, uma técnica de defesa pessoal segura e positiva, em resposta ao mundo difícil e violento em que vivemos. Com sua personalidade marcante, Hélio Gracie passou a simbolizar retidão de caráter, honestidade, coragem e saúde.


Como professor e criador de uma modalidade de jiu-jitsu, Hélio Gracie desenvolveu uma técnica que revolucionou o mundo das artes marciais e que hoje beneficia milhares de pessoas.

 
 


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